terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

água

da próxima vez quem sabe. Tem um lugar agora que conheço, é o lugar onde está deitado um corpo que parece o meu, com sua boca aberta e com um peixe tigre se debatendo lá dentro. Quando abriram os portões desse lugar, talvez até tivessem imaginado, talvez não, sobre as águas que entrariam. Não há remédio. O sono leva tudo, como a morte, mas ao contrário da morte, o sono não é de todos. Algo foi levado e o sono, o sono não veio, finalmente os sonhos abandonaram.  Cada coisa no seu espaço, de onde jamais deveria ser tirada. Na perfeita harmonia do mundo. Tudo em seu devido estado e tempo, conforme é sempre. Sempre estar agora. Os vultos vem e vão detrás do poste e não gostam de ser observados, no entanto porque eles saem á luz? De quem era aquela voz suave que me guiou até aqui? Eu olho pra trás quando dizem que se deve olhar pra frente mas todos os lugares são o meu passado. A vida está pendente e nunca haverá silêncio. Amenizar o grito. Amanhã é dia de jogar bola, esperamos que o dia esteja claro e fresco e que ninguém desista. Depois do jogo conversaremos e contaremos umas piadas, então riremos e contaremos umas outras, e quando o dia estiver virando outro dia contaremos tantas quanto for possível até que o riso subsista por si só sem que ninguém precise criá-lo. A criação é divina. O martírio sutil. Venta na estrada de volta, pra casa. A família é toda estranha. A amizade é toda estranha e o amor é o diabo. A violência conforta, a tristeza diz que sim e a gente vai então. Naquele beco nunca houve tantos corpos antes, amontoados, uns tentando entrar nos outros, pra ver se acham, a coisa perdida. Quando eu toco em alguém, quero entrar lá, pra ver com aqueles olhos, o que não consigo enxergar com os meus. A semana que passou se parece com a que passa, exceto que o sorriso é mais sincero. Muitas outras se passarão e pra cada resposta muda que foi ouvida haverá um suplicio igualmente mudo, porque eu não estarei satisfeito nunca.