terça-feira, 1 de maio de 2012
o contraste
num caminho dividido por seis outros caminhos e dois riachos e duas escadas sem fim. Em cada um dos seis caminhos doze maçanetas sem portas e quatro janelas que dão pra onde você está. No fim de cada escada sem fim um tigre vestido de deusa segura numa mão um arco e na outra um quasar. No fundo de um dos riachos nada uma sereia que é metade mulher, metade mulher. Mais fundo no mesmo riacho dorme um homem sossegado e suspenso que ás vezes acorda pensando em dormir. Embaixo do homem dançam os peixes sem compasso e ritmo. Embaixo dos peixes dormem os prédios imóveis e distantes. Dentro dos prédios uma única árvore com uma única fruta que dá milhares de frutos em um único segundo que já passou. No outro riacho uma grande panela cozinha uma criança com fome enquanto sua mãe se sente sozinha. Uma batata caminha do centro do quasar até a ponta da flecha, desce a escadaria, mergulha no riacho e se senta ao lado da mãe. Duas estrelas de ar sobem á superfície da água e continuam até tocar o céu, que é feito de vidro e de pastel oleoso. Cinco homens pequenos se abraçam até se tornarem um único homem pequeno. Um único homem pequeno abraça a panela e come a criança. A mãe sorri e abre a porta do céu com uma tesoura-martelo. O riacho pega fogo que queima o caminho. Tem um outro caminho ainda e outro riacho e tem as escadas. A árvore abre seus olhos e o tigre ruge.