domingo, 18 de março de 2012

quando você sente medo e foge. A cabana é um castelo o lago é um rio a abelha é um dragão a estrela é sua casa. Quando você abre a porta e olha, com os olhos que sempre foram cegos, você cai. Quando você cai e sente o que julgava improvavel, você sorri e se cala.
E se todas as vozes de todas as pessoas no mundo fizessem um coro e dissessem ' assim é ' você se juntaria ao coro também. E sua voz não seria mais sua, nem suas mãos, suas mãos são da areia. Você afunda, o mar é um garoto que nunca envelheceu e segura suas mãos, a onda vem e dança, você dança também, a onda vai e depois vem e depois dança.  No céu as nuvens rodam, as nuvens são sua mãe elas dizem palavras bonitas que são todas reais mas você não acredita as palavras quando são ditas muitas vezes perdem o valor mas não necessariamente sua verdade sua pureza. A pureza as vezes não se explica as vezes é um aforismo. O aforismo é seu pai, ele te abandonou. O seu pai você vê flutuando em alto-mar. A sua alma você vê submersa, a sua mãe, nuvem que agora também é as arvores, canta pra você dormir, mas a certa idade não se dorme mais, se inquieta. Você se inquieta até não poder mais e começa a tremer, você treme até não poder mais e rodopia, você rodopia até cansar e cansa. E quando cansa, cai. E a porta pela qual entrou não está mais lá, ao invés dela está uma chave tão pequena que nem se pode ver. E do outro lado da sala uma janela que dá pro mar. Acima o mar, abaixo o céu e entre os dois apenas o negrume. Você escala o negrume e encontra sua mãe, que agora é um sabiá e te diz 'vai acontecer mais vezes' mas você só ouve um pio. Você estende sua cabeça até as aguas que te afogam enquanto seus pés caminham sobre o ar. Você morreu. Mas ainda está vivo. Você grita todas as palavras no mundo então passa a inventá-las e quando você as inventa elas te enfraquecem. Até te tornar um 'ah' e depois um velho.